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Como os operadores com várias instalações integram as normas ISO 50001 e 55001 para o controlo da energia e dos ativos.

Resumo

Muitas organizações gerem a energia e os ativos através de programas, sistemas e equipas distintos. Os gestores de energia concentram-se na redução do consumo e das emissões, enquanto os gestores de ativos se concentram na fiabilidade, no risco e nos custos do ciclo de vida. Entretanto, as equipas de sustentabilidade têm a tarefa de cumprir as crescentes obrigações de reporte ao abrigo de quadros normativos como a CSRD e a ESRS.

O desafio reside no facto de todas estas três disciplinas dependerem da mesma infraestrutura física.

Os ativos que consomem mais energia são, muitas vezes, os mais críticos para as operações. As decisões relativas à manutenção, renovação e substituição afetam simultaneamente o desempenho energético, as emissões de carbono, o risco operacional e as despesas de capital.

É por isso que as organizações líderes estão a integrar a norma ISO 50001 (Gestão da Energia) e a norma ISO 55001 (Gestão de Ativos). Ao criarem um modelo de dados partilhado, um quadro de governação e uma infraestrutura digital, conseguem melhorar o desempenho operacional, simplificar a conformidade e acelerar a concretização dos objetivos de sustentabilidade.

Neste artigo, exploramos como as organizações com várias instalações podem integrar ambas as normas, construir um modelo operacional comum e transformar a conformidade num motor de valor empresarial.

Pontos-chave

  • As normas ISO 50001 e ISO 55001 partilham muitos dos mesmos requisitos de dados e processos operacionais.
  • A integração de ambas as normas reduz a duplicação de esforços e melhora a tomada de decisões.
  • As hierarquias partilhadas de ativos e contadores são essenciais para o sucesso.
  • Um quadro de governação comum simplifica as auditorias e a elaboração de relatórios.
  • A gestão integrada de ativos e de energia apoia a conformidade com a CSRD e a ESRS.
  • As plataformas digitais constituem a base para a expansão a várias instalações.

Por que razão a gestão de energia e de ativos continua a funcionar em silos

A maioria das organizações reconhece o valor da gestão de energia e da gestão de ativos. No entanto, muitas continuam a tratá-las como disciplinas separadas.

As equipas de energia concentram-se na redução do consumo, na melhoria da eficiência e no cumprimento das metas de descarbonização. As equipas de gestão de ativos concentram-se na manutenção da fiabilidade, no controlo do risco e na otimização dos custos do ciclo de vida.

Embora os seus objetivos possam diferir, a infraestrutura que gerem é, muitas vezes, a mesma.

Considere uma instalação de refrigeração de um hospital, um sistema de refrigeração de um centro de dados de um banco ou uma rede de AVAC de um armazém. Estes ativos consomem quantidades significativas de energia, ao mesmo tempo que desempenham um papel fundamental na continuidade operacional. As decisões relativas a planos de manutenção, programas de remodelação ou substituição de equipamentos influenciam tanto o desempenho dos ativos como o consumo de energia.

Apesar desta ligação, as organizações mantêm frequentemente conjuntos de dados, estruturas de governação e processos de reporte separados.

O resultado é:

  • Auditorias e documentação duplicadas
  • Prioridades contraditórias entre departamentos
  • Baixa visibilidade entre as instalações
  • Definições inconsistentes de KPI
  • Maior esforço na elaboração de relatórios
  • Oportunidades de otimização perdidas

O desafio tornou-se ainda mais significativo com a introdução dos requisitos da CSRD e da ESRS.

Os investidores, as entidades reguladoras e as partes interessadas esperam, cada vez mais, que as organizações demonstrem de que forma as decisões operacionais contribuem para os objetivos de sustentabilidade. Isto requer uma ligação clara entre o desempenho dos ativos, o consumo de energia, as emissões de carbono e a gestão de riscos.

A integração das normas ISO 50001 e ISO 55001 ajuda a criar essa ligação.

Onde as normas ISO 50001 e ISO 55001 se sobrepõem

Embora as normas ISO 50001 e ISO 55001 tenham sido desenvolvidas com objetivos diferentes, partilham muitos princípios comuns.

A norma ISO 50001 centra-se na melhoria contínua do desempenho energético.

A norma ISO 55001 centra-se na gestão de ativos ao longo do seu ciclo de vida, com vista a equilibrar custos, riscos e desempenho.

Ambas as normas exigem que as organizações:

  • Estabeleçam estruturas de governação
  • Definam objetivos de desempenho
  • Recolham e analisem dados operacionais
  • Monitorizar os indicadores de desempenho
  • Identificar oportunidades de melhoria
  • Implementar processos de melhoria contínua

Mais importante ainda, ambos dependem da compreensão do desempenho dos ativos em condições reais de funcionamento.

Um refrigerador mal conservado pode aumentar o consumo de energia. Um motor ineficiente pode gerar custos operacionais desnecessários. Um programa de substituição atrasado pode aumentar tanto as emissões de carbono como os riscos de fiabilidade.

Vistas sob esta perspetiva, a gestão energética e a gestão de ativos são simplesmente perspetivas diferentes sobre a mesma realidade operacional.

As organizações que geram maior valor são aquelas que gerem ambas as áreas através de um quadro comum.

Criação de um modelo de dados partilhado

A base da integração são os dados.

Um dos maiores obstáculos à combinação das normas ISO 50001 e ISO 55001 é o facto de equipas diferentes manterem frequentemente versões distintas da mesma informação.

As equipas de instalações gerem os registos de ativos.

As equipas de energia mantêm os inventários dos contadores.

As equipas de sustentabilidade criam conjuntos de dados para relatórios.

O primeiro passo consiste em estabelecer um modelo operacional único.

Criar uma hierarquia comum de ativos

Normalmente, segue-se uma hierarquia padrão:

Portfólio → Local → Edifício → Sistema → Ativo

Por exemplo:

  • Carteira
  • Hospital
  • Edifício A
  • AVAC
  • Refrigerador 01

Cada ativo deve incluir atributos relevantes para ambas as normas:

  • Tipo de ativo
  • Localização
  • Criticidade
  • Fonte de energia
  • Função empresarial
  • Estratégia de manutenção
  • Relevância regulamentar

Esta estrutura garante a consistência entre as carteiras.

Criar uma estrutura de contadores partilhada

O desempenho energético depende de medições precisas.

Uma hierarquia bem desenvolvida inclui:

  • Contadores de serviços públicos
  • Contadores ao nível do edifício
  • Submedidores ao nível do sistema
  • Contadores específicos do processo

Ao ligar os contadores diretamente aos sistemas de gestão de ativos, as organizações podem compreender a relação entre o consumo de energia e o desempenho dos ativos.

Isto cria uma base sólida tanto para a otimização energética como para a tomada de decisões ao longo do ciclo de vida.

Definir KPIs partilhados

Uma integração bem-sucedida requer KPIs que suportem ambas as normas.

Exemplos incluem:

KPI de energia

  • Consumo total de energia
  • Intensidade energética por m²
  • Intensidade energética por unidade de negócio
  • Desempenho significativo no consumo de energia

KPI de ativos

  • Disponibilidade dos ativos
  • Tempo médio entre falhas
  • Atrasos na manutenção
  • Custo do ciclo de vida

KPI de sustentabilidade

  • Emissões de Âmbito 1
  • Emissões de Âmbito 2
  • Consumo de água
  • Intensidade de carbono
  • Indicadores de eficiência na utilização de recursos

Quando todos os KPIs têm origem num modelo de dados partilhado, a elaboração de relatórios torna-se significativamente mais fiável.

Criação de um quadro comum de governação

A tecnologia, por si só, não é suficiente.

Uma integração bem-sucedida requer governação.

Muitas organizações mantêm comissões separadas para a gestão da energia e a gestão de ativos. Isto resulta frequentemente em duplicação de esforços e prioridades concorrentes.

Uma abordagem mais eficaz consiste na criação de uma estrutura de governação conjunta responsável por:

  • Objetivos estratégicos
  • Responsabilidade pelos KPI
  • Análises da criticidade dos ativos
  • Metas de desempenho energético
  • Priorização de investimentos
  • Iniciativas de melhoria contínua

Isto permite que as equipas de liderança avaliem os projetos com base no seu impacto combinado em:

  • Desempenho operacional
  • Consumo de energia
  • Emissões de carbono
  • Risco empresarial
  • Custo do ciclo de vida

Em vez de competirem por recursos, as equipas de energia e de ativos trabalham em prol de objetivos comuns.

Caso prático: BPI Caixabank

Sendo uma das maiores instituições bancárias de Portugall, o BPI gere uma rede geograficamente distribuída de agências, escritórios e ativos de infraestruturas críticas.

Manter a consistência operacional em vários locais requer processos de gestão de ativos padronizados, estruturas de governação claras e dados operacionais fiáveis.

Ao implementar o Nextbitt, o BPI criou uma plataforma centralizada para a gestão de ativos, operações de manutenção e pedidos de assistência em todo o seu portfólio de instalações.

Isto permitiu à organização:

  • Padronizar as práticas de gestão de ativos em várias instalações
  • Melhorar a visibilidade do estado e do desempenho dos ativos
  • Reforçar o planeamento e a execução da manutenção
  • Criar processos operacionais consistentes em toda a rede
  • Consolidar a informação numa única fonte de referência

Embora o programa não tenha sido implementado como uma iniciativa formal de integração das normas ISO 50001 e ISO 55001, ilustra um dos princípios fundamentais subjacentes a ambas as normas: o desempenho operacional melhora quando as organizações gerem os ativos, os processos e os dados através de um quadro comum.

Para organizações com várias instalações, a criação desta base operacional partilhada é, muitas vezes, o primeiro passo para integrar a gestão energética, a gestão de ativos e os objetivos de sustentabilidade em grande escala.

Um roteiro prático para organizações com várias instalações

A maioria das organizações não integra ambas as normas de um dia para o outro.

Uma abordagem faseada é, normalmente, mais eficaz.

Fase 1: Foco

Selecione um grupo representativo de locais.

Exemplos incluem:

  • Um hospital e um complexo de escritórios
  • Um centro logístico e um armazém
  • Uma loja emblemática e um centro de distribuição

O objetivo é estabelecer:

  • Hierarquias de ativos
  • Estruturas de contadores
  • KPI principais
  • Processos de governação

Fase 2: Comprovar

Utilize o modelo partilhado para identificar oportunidades de melhoria.

Exemplos incluem:

  • Otimização do sistema de climatização
  • Programas de substituição de equipamentos
  • Iniciativas de manutenção preditiva
  • Projetos de redução do consumo de energia

Avaliar os resultados tanto operacionais como de sustentabilidade.

Fase 3: Expansão

Padronize o que funciona.

Desenvolva uma arquitetura de referência que abranja:

  • Taxonomia de ativos
  • Hierarquia de contadores
  • Estrutura de KPI
  • Modelo de governação
  • Processos de relatório

Aplicar a mesma estrutura em novas instalações, aquisições e projetos de remodelação.

Isto cria consistência em todo o portfólio.

Lista de verificação da avaliação técnica

Antes de integrar as normas ISO 50001 e ISO 55001, as organizações devem avaliar:

Dados

✔ Existe um registo completo dos ativos?

✔ Os contadores estão associados aos sistemas de gestão de ativos?

✔ Os dados energéticos são fiáveis e acessíveis?

Governança

✔ As funções e responsabilidades estão claramente definidas?

✔ As definições dos KPI estão padronizadas?

Tecnologia

✔ Os sistemas existentes permitem a integração?

✔ Existe uma única fonte de verdade?

Escalabilidade

✔ O modelo pode ser replicado em diferentes locais?

✔ Os processos de integração estão documentados?

Conformidade

✔ Os dados permitem apoiar as auditorias?

✔ É possível rastrear as divulgações de sustentabilidade até aos registos operacionais?

Como a Nextbitt apoia os programas ISO integrados

A integração das normas ISO 50001 e ISO 55001 requer uma estrutura operacional comum.

A Nextbitt proporciona essa base ao combinar:

  • Gestão de Ativos Empresariais
  • Gestão da Manutenção
  • Monitorização de energia
  • Integração da IoT
  • Gestão da Sustentabilidade

Através de uma única plataforma, as organizações podem gerir os seus ativos, monitorizar o consumo de recursos e apoiar programas de melhoria contínua em várias instalações.

Isto cria um ambiente unificado que apoia simultaneamente a excelência operacional, o desempenho energético e os objetivos de sustentabilidade.

Considerações finais

As normas ISO 50001 e ISO 55001 não devem ser vistas como iniciativas de conformidade separadas.

Trata-se de estruturas complementares que ajudam as organizações a melhorar a forma como gerem os ativos físicos que consomem energia, criam valor e apoiam as operações empresariais.

Ao integrar ambas as normas, as organizações podem reduzir a complexidade, melhorar a tomada de decisões e criar uma base mais sólida para a sustentabilidade e a resiliência.

Para os operadores com várias instalações, que enfrentam uma pressão crescente para reduzir custos, melhorar o desempenho e cumprir as expectativas em matéria de ESG, uma abordagem comum à gestão da energia e dos ativos está a tornar-se rapidamente uma vantagem competitiva.

Perguntas frequentes 

Qual é a diferença entre a norma ISO 50001 e a norma ISO 55001?

A norma ISO 50001 centra-se na melhoria do desempenho energético, enquanto a norma ISO 55001 se centra na gestão de ativos ao longo do seu ciclo de vida.

Por que razão as organizações devem integrar ambas as normas?

Porque o consumo de energia e o desempenho dos ativos estão intimamente ligados. A integração reduz a duplicação de esforços e melhora a tomada de decisões.

Quais são os setores que mais beneficiam com a integração?

Saúde, banca, indústria transformadora, logística, retalho e outros setores com grande concentração de ativos.

A integração contribui para a conformidade com a CSRD?

Sim. Um modelo de dados partilhado facilita a divulgação de informações relacionadas com a energia, as emissões e os riscos.

Que tecnologia é necessária?

A maioria das organizações necessita de uma plataforma central capaz de gerir ativos, atividades de manutenção, dados energéticos e informações sobre sustentabilidade.

Quanto tempo demora a integração?

A maioria das organizações implementa a integração de forma progressiva, começando por locais-piloto antes de alargar a implementação a todo o seu portfólio.